domingo, 13 de outubro de 2013

Criacionismo na Unicamp, de novo!

Upideite 14/10/13: O  1o Fórum de Filosofia e Ciência das Origens foi cancelado (leia abaixo para entender). Segundo fui informado a decisão de suspende-lo foi tomada ainda na semana passada, mas por algum motivo a página continuava no ar. Hoje foi retirada. A administração central da Unicamp está de parabéns por ter tomado a decisão mais acertada para esse caso. Infelizmente não foi a primeira nem será a última vez que criacionistas e adeptos do intelligent design tentarão buscar credibilidade nas universidades brasileiras.

Upideite 16/10/13: Fui brindado com duros ataques pessoais em dois blogs criacionistas que acham que eu tenho algum poder sobre o que acontece ou não na Unicamp. Nenhum deles permite comentários. Só chamo a atenção para o fato de nunca em meu blog ter sido feito um único ataque pessoal a quem quer que seja, e venho autorizando todos os comentários, exceto os que contém ataques pessoais muito pesados a mim ou a outras pessoas. O nível da discussão cai muito quando um dos lados decide partir para ataques pessoais sem permitir defesa pelo outro. Recomendo que meus leitores não leiam esses blogs.

Upideite 13/11/13: Ontem blogs criacionistas voltaram a fazer pesados ataques pessoais contra mim. Um deles teve o cuidado de retirar as referências ao meu nome ao reproduzir o texto do outro. Obviamente nenhum dos dois permite resposta pois não admitem comentários. Por motivos que em breve se tornarão públicos eu prefiro não comentar nada aqui. O excelente DNA Cético analisou o caso.

Upideite 26/10/13: A Isto É publicou uma nota afirmando que "Grupo de ateus impede que evento religioso com especialista dos EUA se realize na universidade e dificulta o debate acadêmico". Acertaram uma parte: Tratava-se de um evento religioso. Erraram outras: Não há um grupo organizado de ateus (nós temos mais o que fazer), o "especialista" dos EUA é o sujeito sobre o qual comentei acima, e todos apoiamos debates acadêmicos. Deploramos religião travestida de ciência.


Mais do que tentar angariar novos adeptos, o movimento criacionista e de intelligent design no Brasil busca desesperadamente ser reconhecido como ciência.
Não é por outro motivo que instituições de ensino superior confessionais ligadas a denominações protestantes no Brasil promovem periodicamente eventos supostamente científicos onde chamam "especialistas" para debater o que eles entendem por darwinismo ou por "ciência das Origens". Eu já me manifestei sobre o triste caso da Universidade Presbiteriana Mackenzie aqui e aqui. O evento "Darwinismo Hoje" já chegou na sua quarta edição, sempre com os mesmos palestrantes dedicados a negar Darwin e com a mesma irrelevância científica. Não deixa de ser triste que uma universidade privada brasileira que está construindo o que espera que venha a ser uma referência mundial em pesquisas com grafeno coloque sua reputação como instituição científica em risco por esse tipo de iniciativa que agrada aos religiosos fundamentalistas mas não contribui em nada para o avanço da ciência ou do próprio criacionismo, dado que para ele todas as respostas já estão escritas. Universidades confessionais protestantes americanas de primeira linha como Harvard, Princeton ou Yale jamais permitiram que um evento desse tipo ocorresse em suas dependências. Recentemente o Centro Universitário Adventista de São Paulo organizou o encontro criacionista O Universitário  Cristão e as Origens, repetindo os mesmos palestrantes e os mesmos argumentos.
Há alguns anos duas palestras foram proferidas por um criacionista americano na Unicamp. Na ocasião juntamente com colegas conseguimos deixar claro que não se tratava de um evento oficial da Unicamp e o logotipo da Unicamp que estava no cartaz foi retirado. De lá para cá pelo menos por 3 vezes foram canceladas palestras criacionistas em diferentes institutos da Unicamp e no encontro da SBPC que ocorreu na universidade. Eu sempre defendi o direito dos criacionistas de terem e defenderem sua opinião e a propagarem dentro de suas igrejas,  na imprensa ou na mídia, ao mesmo tempo que mantenho que criacionismo não deve ser validado nem ter espaço na universidade.
Por isso causou-me surpresa que a administração central da Unicamp, uma universidade pública e prestigiada como uma das melhores do Brasil  esteja dando suporte institucional para um evento criacionista que ocorrerá dia 17/10 dentro da série de debates chamados de Fóruns Permanentes. Trata-se do 1o Fórum de Filosofia e Ciência das Origens (espero que seja também o último!).  Esse evento chama a tenção por vários aspectos que destoam de uma atividade acadêmica em uma universidade de ponta. Não há nenhum docente da Unicamp na comissão organizadora, e nenhum dos funcionários envolvidos trabalha com pesquisas no tema. Como mostrarei a seguir nenhum dos palestrantes tem um perfil acadêmico compatível com essa universidade, exceto pelo Professor Marcos Eberlin, do Instituto de Química da Unicamp, que participará da sessão de abertura. O Prof. Eberlin é um reconhecido pesquisador na sua área de atuação, com um expressivo reconhecimento pela comunidade e é autor ou coautor de mais de 420 artigos publicados em revistas de seletiva política editorial. NENHUM deles sobre criacionismo ou intelligent design! Vale notar que o Prof. Eberlin é um assíduo participante nos eventos já citados no Mackenzie e na UNASP.
As duas primeiras palestras estão a cargo do Prof. Russell Humphreys, que tem um doutorado em Física e foi professor associado no Institute for Creation Research. Seu currículo contém patentes e publicações em periódicos de seletiva política editorial especialmente na área de instrumentação mas também vários artigos delirantes, publicados em revistas criacionistas, que pretendem mostrar pela teoria da relatividade que a terra foi criada em 6 dias e não tem mais que 6 mil anos (coincidentemente os tempos prescritos nas sagradas escrituras), que ocorreu um dilúvio (idem) durante o qual o campo magnético da terra foi invertido várias vezes fazendo com que os fósseis pareçam mais antigos que são, que o decaimento nuclear prova que a terra tem entre 4 e 14 mil anos (idem) e que o vôo do Pioneer mostra que Deus existe. Nenhum físico que se preza levaria esse tipo de trabalho a sério.
O evento continua com uma palestra do Prof. Nahor Neves, da UNASP que é doutor em geociências. O Prof. Neves também é assíduo participante em eventos criacionistas. Dos seus 10 trabalhos publicados em periódicos apenas um, o mais antigo, é em um periódico com seletiva política editorial e não é sobre criacionismo. O próximo palestrante, Prof. Rodrigo Silva da UNASP tem doutorado em Teologia Bíblica e apresenta semanalmente o programa Evidências na TV Novo Tempo. ele falará sobre Arqueologia e os mistérios das origens humanas. O último palestrante será o jornalista e escritor Michelson Borges, que não tem Currículo Lattes mas mantém os blogs Criacionismo e Michelson Borges. Borges vem tentando mostrar, sem sucesso, que criacionismo é ciência.

Por que a Unicamp empresta seu prestígio a um evento desse tipo, que estaria muito mais apropriadamente sediado em alguma igreja ou associação cristã?
Só consigo imaginar que trata-se de mais um esforço dos criacionistas para ganhar status de ciência. Todos os palestrantes compartilham a mesma visão de mundo baseada na leitura literal da Bíblia. Não existe a menor chance de ocorrer um debate. Mesmo que algum dos palestrantes fosse um cientista não ocorreria um debate científico. Ao contrário da ciência que elabora seus modelos em torno de resultados experimentais e fatos, os criacionistas buscam adaptar os fatos e resultados experimentais ao que prescreve a Bíblia judaico-cristã.
Eu não vou a esse evento e espero que os colegas cientistas façam o mesmo. Participar significa validar como ciência a anti-ciência dos criacionistas. Debater com eles é perda de tempo, pois não há evidência na terra (ou no céu!) que os faça rever seu modelo e suas posições, como os cientistas costumam fazer.  Ao contrário, como muito bem faz o Prof. Humphreys, eles preferem mudar os fatos para adaptá-los ao modelo.
Esse evento não vai fazer da Unicamp uma universidade pior, mas vai mostrar que em nome da abertura para a diversidade de pensamento podemos nos expor a situações embaraçosas que deveriam ser evitadas. Universidades, museus e bibliotecas são (ou deveriam ser) os repositórios do saber. Até hoje a reputação da UnB é manchada pela existência do Núcleo de Estudos de Fenômenos Paranormais e pelo curso de extensão em Astrologia, a ponto de ter sido solicitado seu fechamento...

Upideite 13/10/13: Um ponto de vista radicalmente diferente do meu apareceu hoje pela manhã no Criacionismo.com. Ele apresenta um programa distinto do que está na página do evento na Unicamp. Insider information... Existe até uma página (não hospedada na Unicamp) com informações e programação diferentes das oficiais.

Upideite 13/10/13: O ótimo Never Asked Questions do Roberto Takata já tinha postado um texto sobre o evento no dia 10/10. Esse tem um ponto de vista mais próximo ao meu.

Upideite 15/10/13: O blog Criacionismo.com do palestrante Michelson Borges apresenta uma versão diferente desse assunto. Infelizmente o blog não é aberto para comentários, mas eu ia propor que fizéssemos um debate verdadeiro e mais equilibrado em algum templo (não numa universidade): 2 criacionistas e 2 cientistas abordariam evolução e as origens do universo, seguido de um debate.

Upideite 1/11/13: Ótima análise no Bule Voador.

Upideite 6/11/13: A TV Novo Tempo, ligada à Igreja Adventista, fez um programa bastante equilibrado mostrando os pontos de vista do Prof. Rodrigo Silva e o meu.

Upideite 7/11/13: Só hoje eu soube de um excelente editorial do Destak de Campinas de 4/11 (precisa baixar a versão em pdf) intitulado Adão e Eva na Unicamp. Isso motivou uma carta que foi enviada ao Destak pelo já aqui citado Prof. Eberlin, que faz referência a uma frase atribuída a mim na Isto É. A carta foi publicada aqui. Infelizmente o blog onde ela foi publicada não permite comentários, mas nela o Prof. Eberlin afirma que nenhum dos palestrantes falaria sobre a idade da terra. Ele provavelmente não prestou atenção ao resumo da palestra do Dr. Russell Humphreys, que ia justamente mostrar "cientificamente" que a terra foi criada em 6 dias há menos de 6 mil anos. Apesar de negar o caráter claramente religioso do fórum, o Prof Eberlin deixa escapar no final da carta a palavra Verdade com vê maiúsculo, um conceito normalmente associado com um certo grupo de religiões monoteístas ocidentais e não com a Ciência (com cê maiúsculo).

Upideite 10/11/13: Para quem ainda tem dúvidas a respeito da natureza religiosa do evento, vale a pena ler as declarações do Dr. Russell Humphreys, após evento na Igreja da UNASP dia 19/10. "Em seguida, Humphreys, apresentou suas teorias sobre a real idade da Terra. Com base na física e na Bíblia, o criacionista explicou que a Terra não tem como ter bilhões de anos, como declara a teoria evolucionista. O físico ressaltou que através da cosmologia podemos entender as origens do Universo. “Minha confiança está na precisão da Bíblia. Quando comecei o estudo bíblico vi em várias passagens, que a Terra é nova. Toda cosmologia mostra que a Terra é nova,” relata Humphreys." Se alguém chama isso de ciência certamente não tem ideia do que é ciência. Obrigado Claudio Julio por chamar atenção para esse link.

Upideite 11/11/13: Outros blogs comentaram esse evento. Vale a pena ler o ExataMente e o Bar do Ateu.

Upideite 25/11/13: O Eneraldo Carneiro do Gato Precambriano publicou hoje mais um excelente texto no Bule Voador sobre as repercussões do cancelamento do evento.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

30% dos cursos avaliados abaixo da média do ENADE. O que isso significa? Rigorosamente NADA!

Ou melhor, isso significa que as notas foram padronizadas. É muito engraçado ler as manchetes dos principais órgãos da imprensa:
G1: Enade tem 30% dos cursos do ensino superior abaixo da média, diz MEC
Folha: 30% dos cursos tiveram desempenho insatisfatório no Enade, diz MEC
Estadão: Enade: 30% dos cursos de ensino superior têm desempenho insuficiente
Os comentários do Ministro Mercadante vão na mesma direção. No G1: "Entretanto, mesmo com o resultado, o ministro da Educação,Aloizio Mercadante, considera que o ensino no país está evoluindo se comparados aos resultados do Enade de 2009, quando foi feita a avaliação dos mesmos cursos avaliados em 2012."
Só é possível concluir que o Ministro e os jornalistas que cobriram a divulgação dos resultados estavam muito mal preparados ou não entendem como é gerado o Conceito ENADE e por isso dão declarações que equivalem a dizer que 1+1=2 como se isso fosse uma grande novidade. Vou mostrar a seguir que pela forma como ele é gerado, exceto em casos extremos que também comentarei, SEMPRE cerca de 30% dos cursos terão nota entre 0 e 2, com pequenas flutuações aleatórias de ano para ano.
Figura 1. Três possíveis distribuições de notas no ENADE.
O processo de tratamento dos dados está descrito em Nota Técnica do INEP.  Para se obter o Conceito ENADE é feita uma mudança de escala muito usada em estatística, chamada de padronização.  Os conceitos são calculados a partir da média e do desvio padrão da distribuição de notas. Os estatísticos têm boas razões para supor que a distribuição de notas do ENADE obedece uma curva em forma de sino chamada distribuição normal. A primeira mudança de escala transforma as distribuições de nota em uma curva em que a média vale zero e cada desvio padrão vale um. Então para transformar essa escala padronizada em uma escala supostamente linear de zero a 5 é feita uma segunda padronização que deve estremecer qualquer estatístico que entende do assunto: adiciona-se a menor nota padronizada a todas as pontuações, fazendo a curva começar em zero e depois divide-se as pontuações pelo maior valor obtido, chegando a uma escala entre zero e um que é multiplicada por 5 para chegar na escala entre zero e cinco. Essa segunda padronização que eu saiba (não sou estatístico, apesar de usar muito estatística em minha vida profissional) não tem justificativa teórica alguma, mas transforma os dados em uma escala entre zero e cinco. Como isso é complicado, esse  é o momento para fazer alguns exemplos. Imaginemos que o resultado do ENEM de 3 edições seguidas apresenta as 3 curvas na figura abaixo na ordem verde, preta e vermelha. Isso significa que o ensino superior brasileiro está piorando? Talvez, mas pode também significar que ele está melhorando ao mesmo tempo que as provas estão ficando mais difíceis. Uma das justificativas da padronização é justamente tornar o Conceito ENADE insensível a variações no grau de dificuldade das provas. Após a primeira padronização, as três curvas ficam exatamente iguais, representadas na figura 2.
Figura 2. As mesmas distribuições da figura 1 padronizadas.
Isso mostra de forma bastante conclusiva que independentemente do grau de dificuldade da prova, que no meu exemplo teve uma variação exagerada, a padronização faz com que as distribuições de notas tenham sempre a mesma cara e sigam uma mesma escala. Afinal, é para isso mesmo que serve a padronização: evitar que uma prova atipicamente difícil ou atipicamente fácil altere de forma significativa o resultado da avaliação, que tem como objetivo comparar desempenhos de quem faz uma prova, jamais comparar quem faz provas diferentes.
Então fazemos a segunda padronização e chegamos à próxima figura, que corresponde à distribuição do Conceito ENADE (as notas são arredondadas para o valor mais próximo para chegar a uma escala de inteiros de zero a 5).

Figura 3. O conceito ENADE para as curvas
anteriores. A área entre zero e 2 corresponde a
31% da área total.
Cabe ainda perguntar que percentual da curva  corresponde aos conceitos entre zero e 2. Como a curva da distribuição normal segue uma função conhecida e não é possível calcular sua área analiticamente (a partir de sua integral, como diriam os matemáticos), qualquer livro de probabilidade ou de estatística tem esses valores tabelados. Eu procurei no livro do Sheldon Ross de Probabilidade (simplesmente porque o tinha em casa) e encontrei essa área igual a exatamente 30,85%.  Portanto, não deveria surpreender que 30% dois cursos tenham nota inferior a 3, ou que "Um em cada três cursos de Direito tenha desempenho ruim no ENADE". É assim para todos os cursos, porque o Conceito ENADE é definido dessa forma. Eu venho dizendo que se as pessoas soubessem um mínimo de estatística ela sestariam muito mais bem equipadas intelectualmente para lidar com pseudo-ciência e curas milagrosas. Elas também deixariam de se surpreender a cada ano por ter 30% ou 1/3 dos cursos "reprovados" no ENADE.
Antes de terminar eu quero chamar a atenção par ao absurdo que é a segunda padronização, a que transforma a escala ancorada na média numa escala linear. Imagine que um único curso tenha um desempenho particularmente ruim no ENADE e fique com uma nota padronizada muito abaixo da média (um outlier no jargão técnico). Quando for feita a segunda mudança de escala, todos os Conceitos ENADE serão artificialmente empurrados para cima. Certamente o Ministro elogiará o fato de quase todos os cursos brasileiros (exceto o coitadinho com desempenho muito abaixo da média) estarem "aprovados" com Conceito maior que 3. Isso não significaria absolutamente nada também, a não ser que uma escola teve nota muito inferior às demais. Isso na verdade ocorreu numa das primeiras avaliações de Medicina, como foi discutido de forma muito clara no artigo O Enigma do ENADE por Simon Schwartzman em 2005.
A propósito, quando fui buscar a referência vi que ele escreveu um texto muito bom e mais conciso sobre o mesmo assunto.
Eu havia abordado essencialmente o mesmo assunto de agora em um texto sobre o ENEM.
Enfim, ao contrário do que o Ministro da Educação afirmou, não é possível dizer que o ensino superior brasileiro melhorou a partir do resultado do ENADE, nem seria de se esperar que um número muito diferente de 30% ou 1/3 dos cursos tirasse uma nota abaixo de 3.

Upideite 8/10/2013: Na gloriosa região campineira são só 25% abaixo de 3. Esse tipo de comparação entre regiões é perfeitamente válido, mas o jornalista insinua como má o que deveria ser uma ótima notícia para a região.

Upideite 10/10/2013: Algum editor do G1 andou lendo o Cultura Científica ou o blog do Simon: Hoje saiu uma notícia abordando exatamente esse assunto, claro que sem fazer menção à barriga original. ou aos blogs.

Upideite 18/10/2013: O Simon nota que um editorial do Estadão incorre no mesmo erro relatado aqui. Parece que ao contrário do pessoal do G1, o editorialista não leu o blog do Simon nem o Cultura Científica. A exemplo do que acontece nos EUA, a grande imprensa teria a ganhar se prestasse atenção nos blogs.

Upideite 23/10/2013: O caso da revista Época é o mais curioso: Enquanto sua página web cai no erro apontado aqui, um editorial na versão impressa corretamente afirma o mesmo que apontado aqui e no blog do Simon. O editor deve ter lido os blogs, mas o redator não...
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